quinta-feira, 24 de agosto de 2017

São Paulo busca ajuda para inaugurar frota de ônibus elétricos

23/08/2017 - Blogauto

Prefeitura de São Paulo quer financiamento externo para colocar uma nova frota de ônibus elétricos em circulação, reduzindo as emissões de poluentes

A Prefeitura de São Paulo deve anunciar em breve novos financiamentos externos e parcerias para ampliar o número de ônibus mais “amigos do meio-ambiente”. Essa nova estratégia deve incluir até modelos elétricos e será praticada para atender à Lei de Mudanças Climáticas; que determinava frota total de coletivos municipais com baixas emissões de poluentes até o ano que vem e até então não foi cumprida pela capital paulista.

“Estamos discutindo dentro do governo formas de participar, de incentivar e de fazer com que aconteça a introdução passo a passo dos carros bicicletas, ônibus e caminhões elétricos na cidade; com as formas mais variadas possíveis: com esforços da prefeitura e também buscando parcerias com Governo do Estado, Governo Federal e financiadores, inclusive internacionais; que possam ajudar, além de contatos com as montadoras dos carros. E isso tem de ser uma costura. A prefeitura não tem poder para fechar a equação econômica”; afirmou o Secretário do Verde e Meio Ambiente, Gilberto Natalini, em entrevista ao Diário do Transporte/Canal Mova-Se.

Ainda de acordo com o secretário, a licitação de novos ônibus para a capital paulista deve incluir modelos com baixa poluição ao meio-ambiente. A Lei de Mudanças Climáticas foi assinada há cerca de oito anos e determinava o aumento de 10% do total de ônibus não poluentes; e, a partir de 2018, nenhum dos aproximadamente 15 mil coletivos municipais usasse apenas diesel para rodar. Atualmente, nem 7% dos ônibus não se enquadram nas normas desta lei.

Para o Secretário de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda, a cidade de São Paulo deve contar com um número significativo de ônibus elétricos em circulação somente em médio e longo prazos. Por enquanto, é necessário que as alterações sejam feitas de forma gradativa.

“É preciso observar o comportamento dos ônibus elétricos ao longo do tempo; como é que as baterias vão funcionar, como as garagens vão se adequar. Nada poderá ser feito num sistema tão grande como o de São Paulo rapidamente. Nós precisamos alcançar reduções de emissões rapidamente; mas a soluções tecnológicas precisam vir no tempo em que possam ser realizadas”, disse Avelleda.

Para a ABVE (Associação Brasileira de Veículo Elétrico), o ideal seria seguir um cronograma cujo; no primeiro e no segundo anos, 20% da frota de ônibus seria substuída por modelos menos poluentes; o que inclui exemplares elétricos ou com combustível alternativo ao diesel. Esse percentual passaria para 10% a partir do terceiro ano e, em 2037, todos os onibus novos de São Paulo seriam mais eficientes.

Todos esses ônibus poderiam ser produzidos por três empresas no território nacional: a Electra; a Volvo e a BYD. A indústria instalada atualmente no País tem capacidade para produzir 2 mil ônibus elétricos por ano; podendo alcançar 5 mil exemplares nos próximos quatro anos.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Santos recebe micro-ônibus 100% elétrico e linha do Gonzaga se torna modelo de baixas emissões com diferentes tecnologias

22/08/2017 - Diário do Transporte

Micro-ônibus integra frota limpa da Viação Piracicabana

Trólebus também voltam a circular no trajeto que ainda conta com um ônibus híbrido

ADAMO BAZANI

A linha 20 que liga a praça Mauá, no Centro, à praça da Independência, no Gonzaga, do sistema municipal de Santos, no Litoral Paulista, volta a se tornar um itinerário de baixas emissões de poluentes e ruídos, com  tecnologias diferentes baseadas na tração elétrica, reunindo modelos conectados à rede área, apenas com bateria e híbrido.

Nesta terça-feira, 22 de agosto de 2017, a linha recebe um micro-ônibus 100% elétrico. Além disso, os trólebus (que circulam conectados à rede aérea de energia elétrica) também voltam à circulação comercial depois de 15 meses parados por causa do cruzamento com a rede aérea da linha de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, entre Santos e São Vicente. A linha 20 também conta com um ônibus híbrido, equipado com dois motores, um a diesel e outro elétrico. A tecnologia é híbrida paralela, ou seja, tanto o motor elétrico como o a diesel atuam na tração do ônibus. Quando o veículo está parado ou circulando até 20 km/h, os momentos de maiores emissões, está em funcionamento o motor elétrico. Acima desta velocidade, entra em ação o motor diesel. O híbrido pode reduzir de 35% a 80% as emissões dependendo do tipo de poluente analisado.

Veículo tem acessibilidade com piso baixo e rampa, o que ainda é pouco comum no mercado de micro-ônibus.

Já o micro-ônibus 100% elétrico, de chassi e sistema BYD e carroceria Volare, conta com baterias que armazenam energia e não emite poluentes durante a operação.

São dois conjuntos de baterias instalados no teto do ônibus, um atrás que alimenta os motores que são conectados aos eixos e outra na parte dianteira para os sistemas de elétricos dos veículos.

As baterias podem ser carregadas em até quatro horas e a autonomia fica em torno de 220 quilômetros.

Segundo a CET – Santos (Companhia de Engenharia de Tráfego), o veículo, produzido e montado em Campinas, no interior paulista, tem sistema de câmeras que, entre outras vantagens, vai permitir ao motorista visualizar o embarque e desembarque de passageiros. Com piso rebaixado para acessibilidade, também dispõe de ar-condicionado e Wi-Fi.

Os seis trólebus, o híbrido e o micro elétrico são de responsabilidade da Viação Piracicabana,  do Grupo Comporte, que também opera o VLT.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Trólebus voltam às ruas em Santos nesta quinta, diz CET. Serviços plenos, na segunda, explica Piracicabana

16/08/2017 - Diário do Transporte

Veículos têm a vantagem de não poluírem, serem mais silenciosos e com tecnologia já certificada

Peça para compatibilizar VLT e ônibus elétricos teve de ser importada ao custo de R$ 75 mil. É a primeira cidade da América Latina a ter os dois meios de transportes não poluentes operando em cruzamento

ADAMO BAZANI

Os tradicionais trólebus de Santos, no Litoral Paulista, voltam às ruas nesta quinta-feira, 17 de agosto de 2017.

A informação é da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos, gerenciadora do sistema de transportes na cidade.

Os seis veículos elétricos pertencem à Viação Piracicabana, do Grupo Comporte. Ao Diário do Transporte, por telefone, o grupo informou que nesta quinta ocorrerão as primeiras operações, que devem ser integrais a partir de segunda-feira, dia 21, na linha 20, que liga a praça Mauá, no Centro, à praça da Independência, no Gonzaga.

Havendo algum problema técnico, as previsões podem ser alteradas. O início das operações pode ser gradual.

Os serviços de trólebus foram interrompidos há aproximadamente 15 meses para a ampliação do VLT – Veículo Leve sobre Trilhos entre Santos e São Vicente, meio de transporte que também é elétrico e funciona conectado à rede de fiação aérea.

Em nota, ao Diário do Transporte, a CET informou que Santos se tornou a primeira cidade da América Latina a compatibilizar em cruzamento os dois sistemas de transportes. Para isso, teve ser importado um equipamento da República Tcheca ao custo de R$ 75 mil.

A partir de quinta-feira (17), os trólebus voltam a operar na cidade de Santos, na linha municipal 20. A frota de veículos desse tipo conta com seis exemplares.

No último final de semana foram concluídos os serviços, no cruzamento das avenidas Francisco Glicério x Ana Costa, que possibilitaram compatibilizar sistemas de VLT e trólebus no mesmo trecho – Santos é a primeira cidade da América Latina a realizar a experiência. A peça implementada no cruzamento, a fim de possibilitar a operação entre os dois modais, não existe no Brasil – foi adquirida da República Tcheca (pela EMTU) e custou 20 mil euros.

Nos últimos dias, os testes demonstraram que a operação dos trólebus está dentro dos padrões técnicos de confiabilidade e segurança. Também já foi realizada a inspeção em toda a rede aérea durante os períodos da madrugada. Os veículos foram substituídos por ônibus a diesel durante as obras do VLT naquele trecho, que teve início há pouco mais de um ano.

HISTÓRIA:

Trólebus na época da CSTC. Cidade teve várias linhas

Os primeiros trólebus em Santos começaram a operar em 12 de agosto de 1963. Chegaram inicialmente cinco veículos de um lote de 50 do modelo Fiat Alfa-Romeo Marelli Pistoiese, importados da Itália.

As unidades pertenciam ao poder público por meio do Serviço Municipal de Transportes Coletivos SMTC, que em 1976 foi substituído pela Companhia Santista de Transportes Coletivos – C.S.T.C., também uma empresa pública.

Os atuais seis trólebus operados pela Viação Piracicabana são fabricados pela Mafersa e foram comprados pela – C.S.T.C. em 1987, sendo destinados para a linha 20.

As linhas de trólebus começaram a ter redução significativa na cidade a partir dos anos 1990, quando a C.S.T.C. enfrentava problemas financeiros e de gestão.

De mais de dez linhas, o sistema foi reduzido apenas para o trajeto da linha 20.

Em 1998, com a extinção das operações da C.S.T.C., a Piracicabana assumiu os seis trólebus Mafersa.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes