terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ônibus elétrico será testado no BRT do Rio de Janeiro

02/12/2014 - O Dia


Aprovado em testes em São Paulo, E-bus promete emissão zero de poluentes e economia no consumo de energia

Após ser aprovado com sucesso na fase experimental em São Paulo, o primeiro ônibus fabricado no Brasil movido 100% a baterias, o E-bus da Eletra, deverá ser testado nos corredores BRT do Rio de Janeiro. A Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro ) quer iniciar as operações do modelo articulado da Eletra a partir de 2015.

Os testes em São Paulo foram realizados de março a agosto no corredor ABD, que liga os bairros de São Mateus e Jabaquara, na Região Metropolitana. Além de economizar 82% nos gastos com combustível em comparação com um ônibus a diesel, o sistema de frenagem regenerativa foi capaz de gerar 33% da carga utilizada pelo veículo. "O motor elétrico vira um gerador quando o freio é acionado, e a energia que seria desperdiçada na frenagem é reaproveitada e acumulada nas baterias", explica a gerente comercial da Eletra, Iêda Maria Oliveira. O E-bus é fruto de parceria com as japonesas Mitsubishi Heavy Industries e Mitsubishi Corporation.

No Rio, a Fetranspor testou em linhas convencionais o ônibus elétrico a baterias da fabricante chinesa BYD em abril e maio. A entidade avaliou como positiva a performance do ônibus da BYD, que transportou passageiros entre a Zona Norte e o centro do Rio durante 60 dias. A economia na geração de energia foi o que mais impressionou: enquanto um veículo a diesel consumiu, em média, R$ 5,3 mil por mês para cumprir o trajeto diariamente, o elétrico precisou apenas de R$ 1,2 mil, uma redução de custos de 78%. O veículo ainda demonstrou uma autonomia para circular 250 km após única recarga noturna.

Entretanto, segundo o gerente de Operações da Mobilidade da Fetranspor, Guilherme Wilson, o alto custo dos ônibus elétricos chineses, que podem chegar à casa dos R$ 900 mil, ainda inviabiliza a substituição da frota. O E-bus se equipara a esse valor com a bateria, que não é fabricada no Brasil. Os convencionais que rodam na cidade, sem ar-condicionado, custam por volta de R$ 300 mil.

"Como a idade média da frota da Região Metropolitana está em torno de 4 anos, um período tão curto não seria suficiente para o empresário recuperar os investimentos", apontou Wilson. Em relação ao modelo da Eletra, ele conta que a Fetranspor ainda não fechou a negociação para os testes, mas que deve usá-los nos dois corredores BRT em operação: Transoeste e Transcarioca.

Segundo o gerente de Operações da Mobilidade da Fetranspor, Guilherme Wilson, o ônibus elétrico da BYD foi o primeiro a apresentar uma autonomia de 250 km após único abastecimento noturno. Ele aponta, porém, que o E-bus da Eletra oferece a vantagem de curtas recargas rápidas durante as paradas nas estações. "O E-bus está demonstrando resultados muito impressionantes, porque opera com um abastecimento lento à noite, e, durante o dia, vai fazendo recargas de 5 a 10 minutos no terminal. Isso permite a ele completar viagens sem um kit de baterias tão pesado", diz Wilson. A gerente comercial da Eletra, Iêda Maria Alves de Oliveira, ressalta que a realidade do transporte público não viabiliza o modelo de recarga única. "Imagina 400 ônibus carregando juntos num período de 6 horas à noite. Demandaria uma energia sem precedentes", diz ela.

O diretor de Relações Governamentais e Marketing da BYD Brasil, Adalberto Maluf, adiantou que a empresa também estuda reduzir o volume das baterias para alguns tipos de operação e ter recargas rápidas, de 5 minutos, nos terminais. Segundo ele, a companhia vai vender o ônibus elétrico pelo mesmo preço do similar a diesel, e a bateria pode ser alugada pelo um valor a ser compensado pela economia do combustível. A Empresa Municipal de Transportes Urbanos de São Paulo informou que o ônibus da Eletra ainda é um protótipo para viabilizar futuramente produção em escala, que ainda depende de uma rede nacional de fornecedores de componentes, além de incentivos governamentais às operadoras.

Fonte: Jornal O Dia
Reportagem e Divulgação da foto: Gustavo Ribeiro

Ônibus 100% elétrico começa a ser testado em Curitiba



A Urbs inicia nesta quinta-feira (11) um período de testes com um ônibus movido exclusivamente a eletricidade e com um carro elétrico, ambos produzidos pela empresa chinesa BYD. Os testes de desempenho do ônibus serão feitos ao longo de três meses, na linha convencional Barreirinha. O automóvel será testado durante dois meses pela equipe de fiscalização da Urbs. Em ambos os casos, não haverá custos para a Prefeitura.

O projeto foi apresentado nesta quarta-feira (12), na sede da Prefeitura, pelo prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, pelo presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Júnior, pelo presidente da BYD Brasil, Tyler Li, e o diretor de Marketing e Relações Institucionais da empresa, Adalberto Maluf.

O ônibus tem um consumo de energia 75% menor do que um veículo similar movido a diesel e, segundo a empresa, é silencioso, não poluente e confortável para o usuário. Comporta 80 passageiros, 22 sentados e 58 em pé, além do espaço reservado para usuários de cadeira de rodas.

Já o carro oferecido pela BYD para teste é do modelo e6, também puramente elétrico. É uma mistura de sedã e SUV e com autonomia de 300 quilômetros por carga.

Os testes fazem parte de um conjunto de iniciativas da Prefeitura de Curitiba para buscar tecnologias inovadoras e mais sustentáveis para a mobilidade urbana. Serão avaliadas as possibilidades de melhoria do transporte, especialmente no que diz respeito à questão ambiental.

"Desde o início da gestão estamos, ao mesmo tempo que discutimos e abrimos os custos do serviço de transporte coletivo, trabalhando para melhorar a infraestrutura do sistema para conquistar novos usuários. A busca por novas tecnologias também é um caminho nesse sentido", disse Fruet. Ele lembrou que a Prefeitura firmou parcerias com diferentes instituições, expandindo o uso do cartão transporte e avançando na área de aplicativos. De acordo com o prefeito, os testes servirão para avaliar o desempenho do ônibus, o custo operacional, e também a satisfação de usuários e motoristas em relação a ele.

A Prefeitura de Curitiba já desenvolve outras iniciativas na área de eletromobilidade, como é o caso do Projeto Eco-Elétrico, conduzido em parceria com a Itaipu Binacional, Renault e outras entidades. A partir desse projeto, a capital paranaense passou a contar com a maior frota pública de veículos movidos a eletricidade no país.

O Município também firmou um protocolo de intenções com a Volvo Bus Latin América, UTFPR e concessionárias do transporte coletivo, para avaliar na Linha Verde uma nova geração de ônibus híbrido-elétrico articulado, cujos testes de campo estão previstos para o início de 2016.

"É uma determinação do prefeito Gustavo Fruet que procuremos inovações que contribuam para a melhoria do transporte coletivo da cidade, seja do ponto de vista econômico como também ambiental e social", disse Roberto Gregório da Silva Júnior.

Também estiveram presentes no lançamento do projeto a vice-prefeita e secretária municipal do Trabalho e Emprego, Mirian Gonçalves, o vereador Rogério Campos, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira, e o diretor operacional da empresa de ônibus Marechal, Marco Antonio Gulin, além de secretários municipais.

Ônibus exclusivamente elétrico

De acordo com a BYD, o seu ônibus tem autonomia de até 250 quilômetros, com consumo energético equivale a 1,2 kWh/km. O veículo é do tipo Padron, o mesmo adotado em Curitiba na Linha Direta (Ligeirinhos).

As baterias utilizadas são de fosfato de ferro, tecnologia exclusiva da BYD, e ficam localizadas no teto do veículo e sobre as suas caixas de roda. São recarregadas de quatro a cinco horas, via sistema bidirecional AC, de 380 volts e 80kW de potência.

"Sabemos da liderança que Curitiba tem no sistema de transporte coletivo e por isso para nós é muito importante que esse projeto dê certo. Estamos fazendo todos os esforços para que Curitiba possa adotar esse ônibus, sem aumento de custos para o sistema", disse Tyler Li.

O modelo de negócios adotado pela BYD para introdução dos ônibus elétricos no mercado nacional será vendê-los pelo mesmo preço do similar a diesel, com o contrato de leasing da bateria a ser pago pela economia do combustível.

Atualmente, esses ônibus são produzidos em três fábricas: duas na China, em Shenzhen e Changsha, e uma em Lancaster, nos Estados Unidos. A empresa também está instalando uma unidade industrial em Campinas (SP).

Além do Brasil, o modelo vem sendo testado, desde 2011, em diversas cidades do mundo, como Nova Iorque (EUA), Bogotá (COL), Londres (GB) Copenhagem (DIN) e Oranjestad (Aruba).